TipoD – Design e Engenharia de Produto
11out/080

ARQUITETURA E DECORAÇÃO

João Campos
Da equipe do Correio

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Qual o limite da imaginação? Um passeio pela II Bienal Brasileira de Design, no Museu Nacional Honestino Guimarães, ao lado da Rodoviária, mostra que não há fronteiras para a criação humana. Cerca de mil objetos expostos, de artistas do Oiapoque ao Chuí, traçam as tendências do design nacional e revelam novos talentos. Lá, em meio a tantos artistas consagrados em unir a estética e a funcionalidade nas obras, algumas peças chamam a atenção. São trabalhos desenvolvidos por artistas de Brasília, que representam a capital concretizada por Juscelino Kubitschek na mostra que segue até 5 de novembro.

As pessoas passam, olham e estranham. Disfarçam, dão uma olhadela para o lado, até ler a placa de identificação: “Escorredor de Pratos Pente”. Uma espécie de alívio toma conta do visitante ao compreender o que significam aqueles pentes unidos por uma liga de borracha. “É interessante, a gente não vê isso no dia-a-dia, né? Esse povo tem cada idéia”, disse o biólogo Anderson Guimarães, 31 anos, diante do inusitado escorredor. A peça em questão é do designer Eduardo Borém, 26 anos. Segundo o morador de Águas Claras, a obra fala por si só. “Representa bem a forma despojada como foi feita, o aspecto lúdico. Foi um trabalho autoral, não veio da demanda de um cliente”, contou. “É a primeira bienal que participo como expositor. Acho que esse pode ser um importante passo para alavancar a área do design em Brasília”, acrescentou.
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Como será o interior de um carro lançado em 2020? Essa foi a missão dos engenheiros industriais Guilherme Queiroga, 32 anos, e Murilo Torres, 25, da empresa Tipo D Design. Eles venceram o concurso realizado pela Fiat, em parceria com a empresa Muller, especializada em interiores de automóveis. O desafio era criar uma projeção do carro futurista. “Pesquisamos a evolução dos veículos desde o início do século passado”, explicou Queiroga, que também destacou a preocupação ambiental nas peças escolhidas e o conforto no interior do carro

Se depender da visão da dupla, todos os controles do motorista serão resumidos a uma tela-modelo touch screen, tecnologia usada nos Ipods (Mp3 player). “A pessoa poderá passar as marchas, ver um filme, escrever um texto, tudo em uma única tela”, detalhou Murilo. Os brasilienses exibem mais dois produtos na II Bienal Brasileira de Design: um aparelho para o monitoramento de frotas terrestres — para determinar o itinerário de um caminhão de carga, por exemplo — e um roteador para recepção, teste e programação de sinais de internet, usado por empresa de telecomunicações.

Mesa interativa
Sob as quatro mesas de cristal temperado, estão as letras que formam a palavra “amor”. Mas a designer Milena Miranda, 36 anos, explica que poderia ser qualquer outra: “As pernas são móveis e podem ser arranjadas de acordo com a vontade do cliente”. O trabalho, exposto no Museu Nacional, propõe a interação entre objeto e a criatividade humana. O nome, You! (Você, em inglês), remete à autonomia do freguês diante da obra.

Milena é uma das defensoras da força do design como elemento de beleza nos ambientes. “O lado funcional é importante, mas nós já temos bastante nas indústrias. Falta a questão estética, a cor”, argumentou a artista, formada em arquitetura. Além das mesas, a mineira que chegou em Brasília em 1995, teve dois bancos vermelhos selecionados. Se Milena busca a beleza, o arquiteto George Mackay, 51, abusa da criatividade para dar funcionalidade aos objetos que traça. O proprietário da Arktetonicos, na 409 Sul, tem dois espelhos expostos na bienal.

Mas não são meros espelhos. Cada detalhe foi pensado para aproveitar os espaços do objeto. Uma análise mais atenta e percebem-se diversos compartimentos atrás da peça e uma tela para pendurar brincos e colares. A inspiração veio da falta de espaço nas residências. “É uma peça vertical que possibilita diversos usos ao cliente”, explicou o arquiteto, formado pela UnB. Segundo ele, não há mais espaço para os móveis tradicionais. “Tento preencher os buracos deixados pela produção industrial.”

Pouco espaço para o setor
A constatação é unânime: falta espaço para o design brasiliense no mercado de móveis do Distrito Federal. Todos os profissionais da cidade que participam II Bienal Brasileira de Design colocaram as dificuldades de desenvolver seus trabalhos na região. Segundo eles, a principais causas para o mercado tímido é a falta de indústrias e de divulgação da importância do design entre os empresários. Mas todos concordam que a bienal e o 1ª Concurso de Designers dentro do Salão do Móvel de Brasília, que ocorrerá no fim do mês, representam um grande avanço para o setor.

Segundo levantamento do Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário do DF, há cerca 370 empresas do ramo cadastradas na região. O presidente da classe, José Maria de Jesus, afirma que o papel do designer ainda é pouco difundido e valorizado pelos fabricantes de móveis. “É um trabalho que inova a linha de produção e por isso agrega mais valor aos produtos”, explicou. O sindicato, em parceria com Federação das Indústrias de Brasília (Fibra), é um dos organizadores do concurso que tem o objetivo de dar visibilidade ao trabalho dos designers da cidade. “Escolhemos nove trabalhos, que estarão em exposição a partir do dia 23 no Centro de Convenções”, detalhou José Maria. (JC)

Editor: Samanta Sallum // samanta.sallum@correioweb.com.br
Subeditores: Ana Paixão, Roberto Fonseca, Valéria Velasco
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EXTRAÍDO DO CORREIO BRASILIENSE
10 de Outubro de 2008

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